sábado, 7 de julho de 2012

Eleição na Líbia


Os líbios compareceram neste sábado às urnas para sua primeira eleição nacional após várias décadas de ditadura sob o comando de Muammar Gaddafi, morto em 2011, em uma votação histórica. O pleito contou com 60% de participação e foi marcado por um assassinato a tiros e tentativas de sabotagem por parte de militantes do leste do país.
"Continuamos recebendo os informes (dos colégios eleitorais), mas sabemos que a quantidade de votos alcançou 1,6 milhão, ou seja, 60% dos inscritos", declarou o presidente da Comissão Eleitoral, Nuri al-Abar em uma coletiva de imprensa, ao apresentar os dados preliminares.
Oito meses depois do final do conflito armado que provocou a queda e a morte de Gaddafi, cerca de 2,7 milhões de eleitores foram convocados para eleger os cerca de 200 membros do chamado Congresso Nacional Geral, uma assembleia de transição na qual os islamitas esperam ter o mesmo bom resultado que seus vizinhos de Tunísia e Egito.
Essa sessão histórica, no entanto, foi marcada pela morte de uma pessoa --e outra ficou ferida--, quando um homem que ainda não foi identificado abriu fogo nas proximidades de um colégio eleitoral no leste do país, conforme informou um policial à France Presse.
O ataque aconteceu na cidade de Ajdabiya, palco de numerosos incidentes durante os comícios.
Segundo o chefe da Comissão Eleitoral, Nuri al-Abbar, 1,2 milhão de pessoas haviam votado até às 16h local (11h de Brasília), ou seja, 40% do padrão eleitoral. Às 20h, os centros de votação começaram a fechar em Trípoli e em Benghazi (leste), foco da revolução.
Ao final da tarde, 98% dos colégios eleitorais ainda funcionavam normalmente. Pouco antes, foi anunciado que uma centena deles, sobre um total de 1.554, não puderam abrir devido a atos de sabotagem, principalmente no leste do país.
O vice-ministro do Interior, Omar al Jadhraui, afirmou que as autoridades controlavam a situação na região.
Os resultados preliminares devem ser anunciados "a partir de segunda ou terça-feira", disse a comissão.
Alguns eleitores levavam bandeiras negras, vermelhas e verdes da revolução de 2011, enquanto que das mesquitas de Trípoli eram emitidas mensagens sonoras dizendo frases como "Alá Akbar" ('Deus é o maior) e nas ruas se ouviam as buzinas dos carros.
A alegria também era visível em Benghazi, apesar dos pedidos dos federalistas para que as pessoas boicotassem as eleições.
"Tenho a impressão de que até agora minha vida vinha sendo desperdiçada, mas meus filhos terão uma vida melhor. Tudo o que eles precisam é de um impulso e creio que os novos dirigentes darão este impulso", disse Hueida Abdul Cheikh, uma mulher de 47 anos que foi uma das primeiras a votar.

TRANSIÇÃO
Com 3.702 candidatos e mais de 100 partidos listados, é difícil fazer um prognóstico, mas três formações políticas se destacaram durante a campanha eleitoral, que terminou na quinta-feira.
Dois deles são islamitas: o Partido da Justiça e da Construção (PJC), um braço da Irmandade Muçulmana, e o Al-Watan, do polêmico ex-chefe militar de Trípoli Abdelhakim Belhaj.
O terceiro grupo político de destaque é o dos liberais, reunidos em uma coalizão lançada por Mahmud Jibril, o ex-primeiro-ministro do CNT durante a revolta contra Gaddafi.
A repartição geográfica dos assentos da assembleia foi muito discutida, sobretudo no leste do país, onde os partidários do federalismo pediam mais deputados.
O Conselho Nacional de Transição decidiu finalmente distribuir assentos de acordo com considerações demográficas, de modo que 100 serão eleitos no oeste do país, onde há o maior número de habitantes.
O CNT também decidiu sob pressão que o sistema de votação da futura Assembléia Constituinte seja por maioria de dois terços, de modo que o oeste do país não possa tomar uma decisão sem a aprovação das outras regiões.
Mas os federalistas exigem uma "repartição equitativa" dos assentos e ameaçam boicotar e sabotar o processo eleitoral se suas reivindicações não forem levadas em conta. Nos últimos dias eles inclusive saquearam centros de votação no leste da Líbia, sobretudo na cidade de Benghazi.
Diante dessas ameaças, existem dúvidas sobre a capacidade das autoridades de garantir a segurança das eleições, em um país onde milícias com armas pesadas circulam impunemente.

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